Brasília, 16/08/2012 - A 2ª Etapa do Mutirão de Cirurgias Plásticas Reparadoras das vítimas de escalpelamento no Amapá será realizada nesta sexta-feira (17) e no sábado (18), no Centro Cirúrgico do Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL), em Macapá. A ação é organizada pelo governo do Estado em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e a Defensoria Pública da União (DPU).

Nos próximos dois dias, 28 pacientes passarão pelo procedimento de retirada dos expansores de pele, utilizados para esticar o couro cabeludo das vítimas dos acidentes. Esses aparelhos foram colocados durante a primeira etapa do mutirão, realizada em maio deste ano. A equipe de profissionais que atuam no mutirão também vai avaliar a situação de 20 novas pacientes.

De acordo com o cirurgião plástico Luciano Chaves, vice-presidente da SBCP e coordenador do mutirão, cada caso é avaliado minuciosamente.  Para ele, os acidentes que levam ao escalpelamento devem ser encarados como um problema de saúde pública do estado.

“Enquanto estamos operando as pacientes desta etapa, continuam surgindo novos casos. Nos últimos 45 dias aconteceram três acidentes. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica caminha de mãos dadas com a DPU. Encontramos uma parceria sólida para esta ação de solidariedade”, disse Luciano Chaves.

A defensora pública federal Luciene Strada, coordenadora do Projeto de Erradicação do Escalpelamento, ressalta que desde o início da iniciativa a DPU dá continuidade a ações que visem à erradicação desses acidentes, comuns entre as populações ribeirinhas.

Segundo a defensora, a DPU não se preocupa somente com as ações reparadoras, mas principalmente com as preventivas. “Nós temos que combater a causa determinante do acidente, que é o fato das embarcações - a maioria usada para transporte familiar e de uso comercial na região amazônica - serem precárias. É preciso uma modernização de toda a frota ribeirinha”, afirmou.

A DPU trabalha para a criação de uma linha de crédito com o objetivo de modernizar a frota de barcos da população de baixa renda da região Norte. “O Ministério dos Transportes já disponibilizou recursos, mas estamos com dificuldades para a gestão dessa linha de crédito. Para isso, estamos buscando apoio junto à Secretaria-Geral da Presidência da República na Casa Civil”, explicou a defensora.

Ainda de acordo com Luciene Strada, uma proposta de parceria com a Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde está em fase de elaboração. Além disso, uma equipe trabalha no desenvolvimento de nova tecnologia para a cobertura dos eixos dos barcos utilizando a fibra de Curauá, planta nativa da região amazônica.

A 2ª etapa do mutirão vai contar com o apoio de 40 profissionais de saúde entre médicos e anestesistas, além de enfermeiros e auxiliares.

Acidentes

O escalpelamento é um acidente em que o cabelo da pessoa é arrancado junto com o couro cabeludo, quando se prende ao motor das embarcações. É algo comum no Norte do país, principalmente nos estados do Pará e do Amapá.

Campanha preventiva articulada pela Defensoria Pública da União desde o início de 2010 já registrou uma redução de 80% no número de acidentes. Porém, somente no primeiro semestre deste ano, já foram constatados 12 novos casos de escalpelamento no país.

Assessoria de Imprensa
Defensoria Pública da União